quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sambas


Saravá pequena (Rodrigo Rios)

O rancor que eu carrego sei que carrego sozinho
Pois se era amor que me deste, temo não saber o que é ser mesquinho.
Jurei sem ter medo de blasfêmia
Não serei mais teu menino nem tu serás mais minha pequena.

Essa foi a ultima que me aprontaste
Valei-me deus, pois quanto desgaste.
Que uma pequena faz a um homem só.
Dei-lhe perfume, roupa, brinco e um espaço lá no meu barraco,
Pois sou um menino de coração fraco
E ela aporrinhando me enchendo o saco.

Domingo lá no morro jogo futebol
Ela na laje banhando-se de sol,
Com a tina d’água que eu fui carregar.
Jogo truncado quando olho lá pro alto descendo a ladeira,
A pequena deu um brack com as mãos na cadeira,
Deu um berro lá de cima - ela é chave de cadeia.

E ela arruma confusão com os vizinhos e a dona madalena
Uma senhora de 70 que tem um efizema,
E com o Binho de 14, problema criou.
E é por isso que eu quero dos meus pulsos tirar a algema,
Pois vivendo deste modo já não vale a pena,
Não sou mais teu menino nem tu minha pequena.
*
Seco tamborim (Rodrigo Rios)

Molhei a minha pele com o sangue
Que escorreu dos olhos do seu tamborim,
A dor que ele sentiu com tua maldade
Caíram como pragas sobre mim.

Chega um dia em que tudo se acaba
Todos os sonhos que pensamos em viver
Mas garanto fielmente não precisava,
Fazer o pobre do tamborim desfalecer.

Mas em todos os lugares onde passava,
As atenções eram voltadas para mim.
-meu Deus o que aconteceu contigo? Fala
- se acalme que eu lhe conto Tim Tim por Tim Tim.

Molhei a minha pele com o sangue
Que escorreu dos olhos do seu tamborim,
A dor que ele sentiu com tua maldade
Caíram como pragas sobre mim.

Um coração tão corrompido e agourento,
Fez-me passar um dia no botequim.
Bebendo gole a gole sofrimento,
Que jogaste em cima do seu tamborim.

Mas de tanto beber me pus a pensar,
Que você já não me valia mais.
Bati em meu peito e bem forte resolvi gritar
Cretina sem você eu vivo em paz.
*
Para Vila (Rodrigo Rios)

Eu quero ser mais um menino de pé no chão.
Não subestime sou capoeira, sou da vila meu irmão.

Venha que eu vou lhes contar
O que se passa de janeiro a janeiro,
Num bar de esquina é que vamos cantar
A Vila Pereira Carneiro.

Quando moleque vivia
A soltar balão, marimba e cortadeira.
Hoje mais moço, encontrei minha família:
Amigos da amendoeira

Veja só que magistral
Quanto foguete, confete e serpentina.
Que maravilha os moradores do pombal
No carnaval da praçinha,

Chegue mais perto de Deus
Os anjos cantam a vila entoa o cordel
Mas para entrar só o mercado de São Pedro
Que tem as chaves deste céu.
*
Sambapressado (Rodrigo Rios)

Vem no meu passo nega que vem
Segue meu traço quem não quer sambar.
Deixa a viola cuidar do tempero
Prepare o terreiro que eu já vou passar.

Deixa um cavaquinho chorar,
Tire o pandeiro pra dançar,
Deixa a cuíca reclamar,
Agora só falta você sambar.

Deixa de lado nega que vem
Está todo errado quem não quer sambar,
Mexa teu corpo mulata exonera
Sem era nem beira que eu já vu passar.

Um comentário:

  1. eu gostei muito, particulamente, do "Sambapressado"..

    você tem o dom, cara! e sabe usá-lo!

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