quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Sambas

Coração alvinegro (Rodrigo Rios)

Como se não bastasse amor
Dei-lhe flores pra esquecer o que ficou,
Das palavras que disse por um acaso,
Caso não me perdoe não sei mais o que faço.

Já fiz um samba
Com enredo e compasso de bamba,
Já roguei a deus e nada de você voltar,
Já pus as cores vermelho e preto num coração alvinegro
Pra você me perdoar.

Já deixei a bebida, o cigarro não fumo,
Já vesti uma beca o malandro voltou a trabalhar.
Quem diria que eu ia fazer um samba pra ti,
Tentei um prefeito e não consegui
Mas prometo melhorar.
*
Pedido a Deus (Rodrigo Rios)

Hoje eu pedi a deus que me trouxesse,
Uma dose de amor e um licor se pudesse.
Para fazer um samba em forma de prece.

Pois então jurei,
Com os joelhos fincados no chão implorei
Menino liberta teu povo
Se preciso então desça de novo.

Deus, menino deus, me perdoa a sinceridade.
Entregas-te um filho a humanidade,
Que o recusa e abusa sem alguma cordialidade.

Então o que me resta fazer,
A não ser uma nova canção
Para alienar teu povo,
Inibindo o grito de socorro?
*
É carnaval (Rodrigo Rios)

Quando o coração começar a palpitar
E sentir uma energia seu corpo tomar,
É a energia do samba se deixe levar, dominar.

Venha com a rapidez de uma estrela guerreira,
Tem pierrô tem palhaço e até feiticeira
E o pranto sói rola lá na quarta feira.

Não, não é normal.
É carnaval eu quero ver
Eu quero ver você sambar a noite inteira,
Pios ele começou agora e só acaba quarta feira.

Sinta a voz do morro alvorecer,
É a esperança de um novo amanhecer
São os sonhos que brilham venham ver pra crer.
*
Suplício de anil (Rodrigo Rios/Diogo Pires)

Vesti o meu manto sagrado,
Pus no peito a esfera de anil,
Juntei o verde com o amarelo
E formei o Brasil.

Parei e vi que parado não posso ficar,
Tanta gente deixou de sambar
Desprezando a cultura popular.
Olhei muita gente negando as origens
Da nossa pátria mãe gentil,
Como pode ser tão traidor povo varonil?

Já não se fala em Luiz Gonzaga o rei do baião,
Sua sanfona ensinou o sertão
A entoar um grito de libertação.
Já esqueceram do arrasta-pé, do maxixe, chachado e de outros mil,
Como pode ser traidor povo varonil?

Berimbau sua ginga cadencia danço capoeira
A burguesia tenta dar rasteira,
Mesmo assim não me intimido e levanto poeira.
Por que tentam dar um basta
Na história brilhante do nosso Brasil,
Como pode ser tão traidor povo varonil?

Esse é pra você que cruza o braço bate o pé e diz que eu to errado
Que meu suplício é um tema atrasado,
e nada pode se fazer com um povo alienado.
Basta o Brasil brasileiro crer na força que tem a esfera de anil
pra que possas vencer no futuro povo varonil.

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