quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009


Que tamanho é você? (Rodrigo Rios)

Eu cheguei aqui sem poder cantar.
Hoje pouco vou dizer.
Tanto bateu em meu coro, esquentou o tambor
E o choro de quem resiste se fez ecoar.
Apesar de tanta guerra, povoei toda essa terra
Dei meu leite pra teu filho não morrer.

Que tamanho é você?

Fiz um novo samba pra me libertar
Ainda assim você negou.
Hoje toco o candongueiro e onde era o meu terreiro
Ergueste o templo que lhe batizou.
Não entenda por vingança
Eu resgato minha herança,
Foi Zumbi quem pediu para eu lhe dizer.

Samba perseguido foste um trauma,
Superou e arrancou palmas
De que a pouco o reprimiu.
Ergue o cajado da nobreza e se faça realeza
Pois do pó vieste pra reinar.

Samba abrigo de infinitos versos ,
Nos locais mais adversos inspiraste o poeta a cantar.
Não tu não és só poesia, és maior do que a alegria
De quem nasceu viveu e morreu pra sambar. *
De amor ladro (Rodrigo Rios)

A cada momento em que aumenta a distância,
mais a saudade deixa-me próximo de ti.
Pouco a pouco as horas caem,
como frutos que não mais voltarão a sua origem
respeitando da natureza o devir.

E a lágrima que desliza
Bordando sem fio meu rosto, permitindo que o desgosto
Cubra a brisa que a enaltece
E salinize a água que me batiza.

Meu peito hiberna, a razão segue.
A procura de um vale, que por um instante cale a sua voz
Com medo que arranque-a me como um rabaz.
Novamente julgando o salvador e absolvendo Barrabáz.

Mas junto a mim, na cruz ao lado após condenado
O messias roga o pai. E como um pecador que cai
Pedi-lhe perdão. Prometeu-me então
Um lugar onde não é preciso vencer.
Onde gozaria dos frutos do meu paraíso, você.
*
Saga dos vampiros (Rodrigo Rios)

Tão logo a insurrência da noite
E o breu que assombra nossos corpos falece a aurora,
Evidencia-se estritamente brancura dos teus olhos.
Apontando a seres cedo dispersos
O brindar impetuoso de trevas celestes.

Criaturas que em outras manhãs assemelhavam-se a nós,
Tornam-se sombras, amedrontando-nos com olhar.
A caça de amantes vamp’s, que tem a assunção do desejo
em meio a cabal escuridão.

E enquanto meu corpo dana a querer-te,
Teus dentes percorrem meu pescoço, exortando a madrugada fria.
A respiração ofegante, exalando fumaça dos pulmões, faz-nos um só.
Permea-se o precipício, porém sabe-se que o sacrifício é compensador.

Quando o pio da cotovia alcança nossos ouvidos,
Sabemos que é hora de recolhermo-nos.
E findado o brinde, com o Coaraci acima do horizonte resta-nos confiar, Que haverá sucessiva noite, para que nova saga conduza-nos a um novo encontro.
*
Sem ninguém (Rodrigo Rios)

É... como eu queria ser ninguém!
Nesse instante em que a solidão emerge a alma,
Sem a glória de quem tenho a nostalgia de reencontrar.
E o fardo que a distância obriga-me carregar.

Se ao menos eu fosse ninguém,
Existiria a possibilidade de que ninguém a tocasse,
Ninguém a beija-se e nem a fizesse feliz.
Mas sei que a utopia faz-me escravo do sensível.

Então desejo-te feliz.

Nesse momento em que o acaso nos separa,
Onde o seu é norte e o meu é sul.
Deixo e me queixo da sua ausência clara
Esperando ansiosamente o retorno dos nossos corpos.

2 comentários:

  1. Negro, tu quem criaste tudo isso!

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  2. fala ae meu irmão mais que querido, vc como sempre enxendo a gente de orgulho... que este blog num pare muito menos suas inspirações...

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